quarta-feira, 18 de março de 2009

Afinal havia macacos, ou não havia macacos? Part II

O dias passam-se a fazer "zip, walk, zip, walk, zip, walk".
Alguns cabos medem entre 150 e 700m de comprimento. A altura ao chão também varia. Como a floresta é feita de montes e vales fundos, há partes em que voamos a mais de 200m do chão. A entrada nas cabanas é sempre feita através do voo no cabo. Tanto nas cabanas, como nas árvores que servem de ligação entre cabos, há umas plataformazitas para aterrarmos. Às vezes há colchões verdes no tronco da árvores, tipo um airbag improvisado para o caso de algum turista decidir fazer como nos desenhos animados.





Depois, há as caminhadas pelos trilhos à procura das espécies locais. O princípio parece interessante. Andar na floresta acompanhado de um guia que nos leva ao spot certo e vai mostrando o que ver. Mas depende do guia. E os guias são locais, não falam inglês e fazem a coisa uma bocado a despachar. Ficamos com a sensação de que têm coisas mais importantes para fazer e, muitas vezes, não se vê grande coisa, fica a desculpa de que "é muito difícil apanhar os animais". Um dos grupos teve a sorte de apanhar um guia mais dedicado. Não falava inglês, mas levava um caderninho com fotos dos animais. Quando se ouvia um som ele mostrava a foto do animal que o estava a fazer, depois procurava-o e nalguns casos foi possível ver.




Subir às árvores mais altas e ficar a admirar o espectáculo deslumbrante de ter uma floresta aos teus pés. Fazer uma caminhada pela selva a dentro e depois parar a escutar e ver. Vê-se pouco e ouve-se muito. Sentado no meio da floresta, ao nível do chão, o olhar fica limitado pela vegetação ultra densa. É tudo verde, rasgado a tons de amarelo pelos raios de sol que encontram caminho. Tudo o que mexe, respira e vive está escondido. Só se ouve, e ouve-se muita coisa.





Mas os sons são mais muito mais enigmáticos do que a vista. Se batemos os olhos num ser vivo, mesmo que por uma fracção de segundo, mais coisa menos coisa uma pessoa entende do que se tratava. Mas sons (e os cheiros) para um ocidental citadino perdido na floresta do Laos, tornam-se numa miscelanea de coisas indecifráveis. Os olhos saltam na direcção de um estalido, e depois, no lado oposto, de um "crack", mas não vêem nada. A cabeça parece um limpa para brisas na velocidade máxima, a tentar apanhar os sons com os olhos, mas ver a origem do som é dificil. Sentado num tronco cheio de formigas vermelhas, a 45 min a pé da pessoa mais próxima, às 4 e meia da tarde, numa floresta de sons enigmáticos senti-me feliz e tranquilo. Até começar a ser mordido.




À noite a floresta acorda. É um cliché. Mas estando lá e tendo a oportunidade de ver e ouvir ao vivo, esquece lá o cliché. Um tipo fica varado com a vida que ali se passa. Ainda por cima estava Lua cheia. Eu a Chrissi e o Hendrick estávamos à conversa, depois do jantar de sticky rice e legumes variados cozidos, que nos chegara por cabo. Bebemos o nosso chá e esfumaçamos um cigarrito de enrolar. Nisto, os galhos mais próximos da nossa árvore abanaram suavemente. Ao restolhar das folhas apagamos as velas e ficamos de respiração suspensa de olhos e ouvidos bem abertos. Levantamo-nos devarinho e colamo-nos à vedação de pouco mais de um metro, agachados. E então o gibão dá dois piparotes, de um ramo para outro, não se ouve nada, depois com a leveza de um astronauta na Lua lança-se num voo descendente de uns 30 metros até ao ramo doutra árvore. Se os olhos fossem obturadores teriam registado um mamífero, crâneo de primata, dois braços estendidos, as mãos em forma de garra em busca do ramo que só ele vê, as pernas de trás encolhidas com o movimento de mola, o corpo preto fica prata banhado pela Lua cheia. Depois, se os olhos fossem obturadores, teria chegado ao meu computador, enfiava um dedo no terminal USB, fazia download e a foto ou video estaria agora aqui.





Duas horas mais tarde, depois de digerirmos a emoção de termos visto o gibão ninja a 10 metros dos nossos narizes, depois de muita conversa e gargalhada, depois de partilharmos histórias como se nos conhecessemos há vinte anos, fomos dormir de sorriso nos lábios. Cinco minutos depois de tudo estar sossegado, e sem luzes, o ar enche-se dos "tic tic tics" das patinhas dos amigos roedores que finalmente podem voltar à sua árvore por direito próprio.

Afinal havia macacos, ou não havia macacos? Part I

Será que faz sentido continuar com um blog de viagem depois da viagem acabar? Pergunta metafísica da treta... eu cá continuava a viajar no mínimo mais 6 meses. Não posso. Mas posso continuar a viajar nas histrórias que vivi. E ele há muitas.

Muitas histórias que ficaram por contar, porque não havia tempo para escrever tudo o que se estava a passar. Os macacos da floresta do Laos no Gibbon Experience, é uma dessas histórias. Toda a gente pergunta "afinal havia macacos ou não havia macacos?", "e viste-os?", "e fotografaste-os?".

'Bora lá então, do princípio, que não levam as repostas a essas perguntas por da cá aquela palha, ou neste caso, aquele galho.





O que é o Gibbon Experience?

É uma tentativa de um francês de conservar a floresta do Norte do Laos. Um pequenissíma parte chamada parque natural do Bokeo. É preciso ser um bocado chanfrado para ter uma iniciativa destas, diga-se de passagem. Começou na década de 70. Porque ele, vindo de viagem, reparou que o Laos é um país muito intocado pela mão do homem (excepção feita aos bombardeamentos da 2ª guerra mundial, foi só o país mais bombardeado, mas isso foi mais a sul). Basicamente não há muita civilização. Mas a floresta apesar de intocada estava e está ameaçada. Pelos chineses que entram por ali adentro para tirar madeira, e caçar animais indescriminadamente, que usam para fins comerciais, pela população que desbrava a floresta sem critério para fazer plantações e pelo governo que fecha os olhos.





O francês decidiu que havia de fazer uma espécie de reserva na floresta para conserva-la. E para isso havia de chamar turistas para verem e pagarem. A ideia dele foi fazer umas cabanas nas árvores (tipo a 50m de altura), separadas entre si 1 ou mais kms, e ligadas por um percurso que inclui canopy (slide num cabo de aço, tipo voo de uma árvore para outra) e trekking (caminhada) pela selva fora. Portanto, um tipo vai lá 3 dias, dorme nas árvores, balança-se de árovre em árvore à tarzan e jane e faz caminhadas pela selva. Parece e é divertido.




O outro objectivo da visita dos turistas é mostrar-lhes as espécies locais. Porque aquilo é uma verdadeira selva, há de tudo, e o objectivo é alertar as pessoas para o facto de que é preciso proteger a a fauna local, protegendo a área florestal. Todas as espécies ali estão em risco de desaparecerem, por causa da destruição da floresta. Pássaros exóticos, insectos que não existem em nenhum outro local do planeta, macacos (os tais gibões) ursos (pequenos, pretos), esquilos voadores, tigres, cobras (como dizia o Charlie, o nosso guia, quando lhe perguntei que tipo de cobras há por ali, ele ficou branco e respondeu "todas", grandes pequenas, venenosas, muito venenosas, estupidamente venenosas, das que caem em cima de ti enrolam-se e partem-te aos bocadinhos etc etc - "e tu já comeste alguma cobra?", ele respondeu timidamente que sim, matou e comeu, depois explicou-me meio em laociano, um décimo em inglês e outra parte por gestos que é uma espécie de ritual de iniciação). Ah!, e há ratos.



Portanto, uma pessoa chega a Huay Xuai no Laos, regista-se no Office do Gibbon, paga 8000 Bahts (188 Euros) e recebe um briefing sobre o que se vai passar naqueles 3 dias. Depois, no dia marcado às 8h da manhã enfia-se numa pick up com mais 12 macacos lá dentro e faz uma viagem de 3h e meia (a tal que parece uma viagem no programa de centrifugação da máquina de lavar roupa), primeiro por estrada depois por caminhos lavradios até chegar à orla da floresta, onde há uma tribo local (ver fotos). A tribo fornece snacks, bebidas e guias. Uma forma de contrapartida para os locais. Daqui arranca-se a pé pela floresta a dentro numa caminhada de 1h com paragem para uma sandocha. Até que chegamos ao acampamento onde ficam os guias e a cozinha que dá suporte ao Gibbon Experience.



Aqui enfiam-nos o arnês nas pernas e na cabeça uma explicação rápida de como a coisa funciona. Mais uma caminhada até à primeira árvore. Primeiro engata-se o cabo de segurança depois a cena das roldanas com o travão (um pedaço de pneu), um passinho para o vazio e... zip aqui vamos nós a voar em direcção à primeira cabana.

domingo, 1 de março de 2009

Fim do dia na praia em Langkawi





Langkwai III



Vespera de voltar... uma tentativa de mau feitio... acabou em grande gargalhadas ;)



Pessoal a animar o fim do dia na praia cenang penang



Vista do hotel na praia em Langkawi. Na Malasia permitem constuir mesmo na praia, este ficava a 50 metros da agua, mas ha sitios em que os bungalows estao mesmo denterio de agua (o mar e quente, mas nao transparente) a unica regera que impoeem e que as construcoes nao ultrapassem a altura dos coqueiros.

LangKawi II



Na ponte suspensa a 750m do nivel do mar



Vista da ponte



Tragam-me uma zip line para fazer um slide ali para dentro de agua, sff.

Langkawi



Langkawi, a subir ao pico de 900m no cable car



Vista da ponte suspensa, para o pico.



La em cima da para ver umas aves raras de vez em quando...



Vista do cable car, da para ver as inumeras ilhas, a distancia para a costa e pouca (1h de barco mais ou menos)



Cenang Penang, onde ficamos, um tipo nao se perde a ir tomar o pequeno almoco.

A ultima paragem: LangKawi (Malasia)



Ja a caminho de casa, em Londres, ainda ha tempinho para por mais umas fotos de uns sitios feios por onde andei =))

Langkawi, uma ilha do norte da Malasia, foi a ultima paragem antes do regresso, fiquei 3 dias num hotel na praia.

Ao todo foram 29 dias de viagem. Deu para passar por 3 paises: Tailandia - Laos - Tailandia - Malasia. Fica bem no passaporte, ate pareco um viajante muito viajado.

Ha muitas historias e fotos que ainda para acrescentar no blog, e tambem esta a precisar de uma certa organizacao. Hoje nao. Porque hoje comecou ontem as 6h da manha. Levantei-me e fui para a porta do hotel. Uma mini van apanhou-me e levou-me ate ao cais onde apanhei um ferry para a Tailandia. Quase duas horas dentro de um ferry ate uma pequena localidade portuaria chamada Satun. de votla a Tailandia fui logo recebido por uma tentativa de me sacarem mais dinheiro. Com sono e a caminho de casa, disse logo que nao pagava mais nada, ja tinha comprado o bilhete ate ao aeroporto de Hat Yai. De castigo espetaram comigo no BUS local, quando entrei juro que pensei "pronto e agora que me tirar um rim". Estava vazio e tinhas as cortinas todas fechadas. Mas nada disso. Era o BUS local e foi uma viagem bem interessante. BUS local significa que se houver alguem no caminho a abanar o braco o autocarro para e apanha essa pessoa mesmo que ja va tudo ao colo uns dos outros. Eu era o unico turista, e aqui nao devem aparecer muitos, porque os olhares eram de muita curiosidade, muitos risos. Aqui nota-se que a lingua e uma barreira, as pessoas ate parecem ter vontade de falar mas em tailandes fica dificil. E no entanto com um pouco de boa vontade acontecem coisas giras, como falar ingles com alguem que responde em tailandes e a gente ate parece que se entende. E aqui levantou-se uma questao. tinha sido interessante falar com um tailandes de uma classe mais alta, trocar impressoes sobre o pais, o turismo. Porque aquilo que um turista apanha muito sao tailandeses de classe baixa que procuram fazer a vida, e para muitos os turistas sao dolares com pernas. Nem adianta explicar a um que, sim, ate tenho alguma capacidade financeira para poder chegar ali e fazer ferias que me apetece, mas tambem me matei a trabalhar nos ultimos anos para isso. Nao entendem. Por isso muitas vezes ficamos com a sensacao que eles sorriem muito porque tem de ser, e isto foi uma opiniao partilhada com muitas das pessoas com quem me cruzei.
Na verdade e um povo simpatico sim, e aqui no BUS local com pessoas que vao no seu dia-a-dia, e raramente veem turistas, da para perceber isso mesmo


Bom, chegado a Hat Yai depois de 3h de viagem, largaram-me na estacao das camionetas. Eu tinha de ir para o aerporto que nao fazia a minima ideia onde era. E estava sem dinheiro. Aqui nem "ATM" eles percebem. Foi preciso tirar o cartao e fazer muitos gesto para que me explicassem onde era o ATM. Ganhei logo uma dezena de amigos que me seguiam por onde quer que eu andasse, sempre a perguntar "where do you go?", "I go to the toilet do you know where it is?"... O primeiro taxi com quem quis negociar a ida para o aerporto pediu-me 2600 Bahts. Uma hora depois, com muita paciencia consegui que me levassem por 400. E o aeroporto afinal ficava longe como tudo, fora da cidade no lado oposto. Bem, cheguei ao aerporto as 15h e o aviao para Bangkok era so as 1920h. Tive tempo para fazer daquelas coisas que hojer em dia ninguem se lembra de fazer, mas que toda gente gosta de receber: escrever postais a amigos e familia. E giro!

De Hat Yai, para Bangkok sao 1200 kms, e o bilhas do aviao custa uns escandalosos 17 euros... acho que nem chegou a isso. Chegado a Bangkok fiz o check-in e fui devorar um mega Double Whopper ao Burger King! Chlep! Depois comecei a mentalizare-me para as 11h de voo que me aguardavam. Nao adiantou grande coisa. No total ate chegar a casa, desde ontem as 6h em Langkawi vao ser 44h de viagem, mas eu venho com um sorriso de Long Boat nos labios.

Em jeito de conclusao a quente, e preciso dizer: toda a gente devia experimentar viajar assim. E uma maravilha, pelos sitios que se veem, as pessoas que se conhecem e as historias que se vivem. Nao ha experiencia equivalente. Andar perdido literalmente na conchichina e uma experiencia que recomendo a todos. E preciso ter vontade para isso, mas compensa.

Ainda em Lipe



A caminho da Sunset Beach em Lipe.






E, alem de terem este aspecto nada apetecivel, as aguas sao quentes



Bungalows na praia em Lipe